Uberaba: conjunto arquitetônico da Epamig poderá ser tombado pelo Iphan

Uberaba: conjunto arquitetônico da Epamig poderá ser tombado pelo Iphan

ISABEL DURYNEK

O Conjunto arquitetônico da Epamig poderá ser tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O local já foi tombado pelo município de Uberaba em 2006. A partir dessa ação, a documentação reunida pela equipe da Fundação Cultural na época também foi encaminhada ao Iphan que realizou na tarde de ontem uma visita técnica ao patrimônio.

De acordo com o analista de Patrimônio Cultural do Instituto João Paulo Martins, a visita foi para dar andamento aos estudos para instrução desse processo de tombamento. “Sobre a fazenda ter condição de ser tombada, isso tem que ser avaliado ainda em estudos posteriores. O que eu posso dizer, é que o processo de tombamento feito pelo município e encaminhado para o Instituto está muito bem instruído. Tive a oportunidade de falar sobre isso com o pessoal da Fundação, com os próprios técnicos e gestores da fazenda que nós visitamos. Não tem como dar um parecer agora. Foi a primeira visita ‘in loco’. Mas acho que é um bem simples e demonstra um interesse relevante”.

Quem desenvolveu o dossiê de tombamento foi o historiador e professor do município Thiago Ricciopo com ajuda de equipe do Patrimônio Histórico da FCU. De acordo com ele, o local merece o tombamento, pois o conteúdo histórico transcende o município, já que a relevância da Epamig promoveu mudanças no cenário econômico nacional. “A inauguração da Epamig foi durante o governo do Getúlio Vargas em 1941, no mesmo momento em que o parque Fernando Costa foi inaugurado. Então, foi um pacote que Uberaba recebeu de grandes obras. Tem uma grande relevância nacional devido à interferência política e desenvolvimento da pecuária. Ali, a princípio, tinha um centro de pesquisa e desenvolvimento para melhorias da raça Gir que acabou sendo mais efetivo na história da produção leiteira. Foi um dos pilares em outras áreas da agropecuária, tão fundamentais, como a produção de soja. Foi abrindo para além da pecuária para várias outras áreas, da soja, do milho, do algodão, feijão”, dentre outros destacados pelo historiador.