Polícia Federal conclui investigação sobre memorial em Belo Horizonte

A Polícia Federal comunica que concluiu as investigações que culminaram na deflagração da Operação “Esperança Equilibrista”, ocorrida em dezembro de 2017. As investigações apuravam irregularidades na execução do projeto de implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil, financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Assinado em 2009, o projeto prevê duas ações: (i) reforma do edifício histórico denominado Coleginho (localizado no bairro Santo Antônio nesta capital) e construção de prédios anexos e de uma praça de convivência; e (ii) produção de uma Exposição de Longa Duração no Coleginho reformado. O custo inicial do projeto era de pouco mais de 5 milhões de reais. Após seis aditivos, o projeto atingiu a quantia de mais de 28 milhões, dos quais mais de 19 milhões foram efetivamente pagos, tendo sido destinados 6,7 milhões à produção da Exposição de Longa Duração; e o restante, para a obra. 

As investigações referentes à segunda ação avançaram em ritmo mais adiantado que a apuração sobre a obra, a ponto do conjunto probatório reunido até o momento possibilitar a sua conclusão. As investigações sobre as obras continuarão.

Assim, quanto à ação de pesquisa de conteúdo e produção da Exposição de Longa Duração, foi possível constatar fortes indícios da prática de crimes de associação criminosa, uso de documentos ideologicamente falsos, desvio de verba pública, concussão, estelionato e prevaricação. Foi descoberto que a maioria dos estudantes e dos pesquisadores que recebiam bolsas para desenvolver pesquisas de conteúdo para a Exposição de Longa Duração foi instada a repassar parte de suas bolsas para alguns investigados. Em outra situação, ao induzir bolsistas a engano, alguns investigados obtiveram parte da remuneração dos pesquisadores. 

Ademais, recursos do projeto foram gastos com despesas estranhas ao seu escopo, beneficiando fornecedores e colaboradores. As provas reunidas no inquérito policial demonstram tentativas de esconder o descontrole e o desvio dos gastos por meio de prestação de contas com dados falsos.

Onze pessoas foram indiciadas pela prática de crimes cujas penas máximas somadas totalizam 32 anos.