‘Lockdown de Páscoa’ em Passos e Piumhi: ‘ninguém sabe o que faz’

Passos e Piumhi vivem espécie de ‘lockdown de Páscoa’ com inúmeros debates nas redes sociais, com a população confusa em meio a decretos, que recuaram do fechamento de supermercados e similares diante de entendimento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) de que não há sistema de delivery que comporte atender uma cidade inteira. Leia editorial, assinado pelo jornalista Daniel Polcaro, sobre esse tema e o atual momento de combate ao Coronavírus no Brasil, em Minas Gerais e na região.

Se vive algo inédito e em consequência é natural faltar conhecimento à altura para gerir duas crises que se misturam, a sanitária e econômica (e que provavelmente não vão se resolver ao mesmo tempo). Como diz o áudio do Galvão Bueno que viralizou na região: ‘ninguém sabe o que faz’.

A Ciência diz que o comércio precisa ser fechado para que o ciclo de entrada e saída de infectados nos hospitais seja comportado ante limitado número de profissionais de Saúde que o país tem disponível. Há outra parcela considerável que acredita que o Covid-19 nunca vai embora, e por isso para não morrer de fome, é preciso tudo funcionar normalmente, mantendo as medidas de higienização e distanciamento, assim a vida segue e menos pessoas teoricamente ficarão doentes.

O melhor dos cenários, se tratando de uma sociedade em que existe respeito às regras, seria o segundo. Mas em um país em que sequer existe unidade entre a União, Estados e municípios no combate a algo que pode nos exterminar, nada ainda foi provado, pois em nenhum lugar existiu de fato lockdown (Piumhi e Passos, na Onda Roxa tiveram isolamento social menor que 40%) e nenhuma cidade tem fiscalização o suficiente para punir todos que podem disseminar o vírus. Ou seja, neste instante no Brasil não existe uma verdade, mas um já letal problema de gestão: não há delivery capaz de atender uma cidade inteira, e mesmo assim decretos provocaram correria e aglomeração, mesmo que na melhor das intenções.

Por respeito a vidas e sem o amparo financeiro adequado do Poder Público, não há mais margem para erros e falta de pulso dos administradores. Ou todos nós vamos morrer com as nossas verdades interiores. (Daniel Polcaro)