Corpo de Bombeiros usa ejetor de bolinhas para cães criado pelo CEFET-MG

Corpo de Bombeiros usa ejetor de bolinhas para cães criado pelo CEFET-MG

Depois de realizar o trabalho, localizar o objeto por meio do odor, vem a recompensa: uma bolinha é lançada da caixa e o cão premiado. Tecnicamente chamada de ‘Dispositivo de adestramento de cães para modelagem comportamental’, a caixa é utilizada pelo Pelotão de Busca e Salvamento com Cães do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, que realiza o treinamento e a formação dos cães para localização de pessoas vivas ou mortas que estejam perdidas em matas, ou presas em escombros devido a desabamentos e soterramentos. O dispositivo foi desenvolvido pelo professor do CEFET-MG Euler Cunha Martins, do Departamento de Eletrotécnica, e pelo estudante Kevin Oliveira.

O objetivo do dispositivo é criar uma forma de premiação para o cão em adestramento que cumpre de maneira eficaz a sua missão de identificar e localizar determinados odores, pessoas ou objetos previamente definidos. Essa premiação consiste no lançamento vertical de uma bola de tênis ou de algum outro objeto de interesse do cão. O ato de apanhar no ar esse objeto proporciona efeito de premiação para o cão.

O professor explica que o dispositivo foi construído com uma caixa de madeira e foram desenvolvidos, acomodados e integrados dentro da caixa os dispositivos eletroeletrônicos e eletromecânicos que permitem a automatização do processo de liberação de prêmios, por meio de um controle remoto por rádio frequência.

A eficácia do trabalho de busca e resgate com utilização de cães é atestada em ocorrências atendidas pela Corporação do CBMMG. ‘De acordo com a ONG Cães de Resgate, a capacidade de trabalho de um cão farejador para localizar pessoas equivale a 20 homens desempenhando a mesma função de busca, sendo que o animal pode realizar a tarefa em um tempo muito menor. Em ambientes de desastre ou de buscas e salvamento esse diferencial é muito importante’, destaca o professor Euler.

Segundo o comandante do Pelotão, tenente Lucas Silva, existem diversas formas de fazer a expulsão dessa bolinha, seja por meio mecânico ou eletrônico, sendo que a segunda forma é melhor. ‘Como o CEFET-MG é uma referência em cursos técnicos e superiores na área de eletrônica, procuramos o Departamento para apoiar na fabricação do dispositivo com acionamento por meio de um controle remoto’, explica o tenente.

A parceria com o Pelotão aconteceu a partir de um acordo de cooperação técnica. ‘A parceria se mostrou muito importante para o CEFET-MG, pela relevância e importância social do Corpo de Bombeiros Militar para toda a população do Estado e pela possibilidade de criarmos novas frentes de trabalho e novas linhas de pesquisa, principalmente na área tecnológica, nas quais os professores da casa têm a oportunidade de desenvolver novos produtos, novas tecnologias, criar novas aplicações’, destaca Euler.

O dispositivo não está disponível no mercado brasileiro, sendo encontrado apenas em outros países para exportação, o que eleva bastante seu custo. O dispositivo atendeu às necessidades do Pelotão. ?O dispositivo está sendo essencial no treinamento. Assim que o recebemos e começamos a realizar o treinamento, percebemos uma evolução muito grande dos cães?, afirma o comandante.

Segundo as orientações do tenente, o treinamento funciona da seguinte forma: o militar treinador do cão distribui no terreno cerca de 3 a 5 caixas do mesmo formato e tamanho. Em apenas uma caixa, o odor do cadáver é introduzido. O cão é lançado para realizar a busca e a identificação do odor. Ao encontrar a caixa correta, o cão deverá ficar ao redor da caixa e emitir vários latidos, sinalizando que encontrou o odor. Quando o cão realiza a atividade corretamente, ele é premiado com uma bolinha. ‘Não é muito adequado o próprio condutor do cão lançar essa bolinha e premiar o cão. A forma mais adequada, é que a recompensa venha da própria caixa uma vez que, no entendimento do cão, a bolinha está vindo do próprio odor e esse odor que está realizando a premiação. Por isso, o dispositivo é extremamente importante, uma vez que a uma certa distância o treinador do cão aciona o dispositivo por meio de um controle remoto’, explica. Em média, dois anos de treinamento é o tempo que leva para formar um cão de busca de cadáver.